O QUE HÁ DE NOVO EM 2012 II
Choreography é o primeiro álbum de estúdio lançado no passado mês de Abril pelo quarteto londrino Weird Dreams que recentemente esteve acompanhou a digressão dos britânicos War On Drugs. A banda de indie-pop lançou também um EP em 2011 intitulado “Hypnagogic Lullaby” e um single, Holding Nails, no mesmo ano. A banda diz-se influenciada por grupos como os Beach Boys, numa fusão entre vários estilos que vão desde o lo-fi, o psicadélico e o shoegaze. Choreography arranca com as palmas e o ritmo de “Vague Hotel”, que acaba por sintetizar aquilo em que consiste este álbum – as guitarras melódicas, os vocais limpos e harmoniosos de Doran Edwards, canções solarengas e ritmadas pela bateria com uma réstia de melancolia inerente às mesmas. É o caso da nostálgica “Little Girl”, ou da hipnótica “Choreography”, o tema homónimo e que termina o álbum. “Summer Black”, “Hurt So Bad” ou “Holding Nails” são algumas das faixas mais energéticas, contrastando com a sonoridade acústica de “River Of The Damned” ou o ritmo mais lento e sonhador de “Velvet Morning” ou “Suburban Coated Creatures”. É também perceptível uma influência psicadélica em temas como “666.66”, “Faceless”, ou “Michael”. Este álbum compõe uma playlist de boas melodias pop, grandemente inspiradas nos anos 60 e 70. Ouça o tema “Little Girl”, aqui:
O QUE HÁ DE NOVO EM 2012 I
Outlands é o álbum de estreia do grupo natural de Sydney, Australia, editado em Março deste ano, após o lançamento do EP Don’t Be Sorry, em 2009.
Formada em 2008, a banda de indie-pop descreve a sua sonoridade como “os Zombies a dar uma festa na praia para os Portishead”. Este álbum apresenta isso mesmo, uma mistura de géneros que flui na perfeição em canções simples, que pairam entre influências desde o trip-hop, ao surf rock, até ao rock psicadélico. “Outlands”, a primeira faixa, despertando-nos os ouvidos com um espírito misterioso e algo sombrio e um riff de guitarra inesperado. Surge-nos de seguida “See No Light” com um ritmo vibrante e acelerado, abrindo caminho para um aumento de intensidade em “Girls”, um dos singles, e “Granite City”, que nos levam para os caminhos do britpop dos anos 90 e do indie rock actual. Já em “Together”, encontramo-nos com o psicadelismo dos conterrâneos Tame Impala, passando por pequenas jóias pop como “Steam”, “The Devil Won’t Take You” e “All The Kids”, que nos soam a banda sonora de um típico amanhecer de verão e nos aguçam o interesse. É impossível também não denotar uma energia retro que nos relembra de Beatles ou de Beach Boys em temas como “Don’t Be Sorry” ou “Lonely In Your Arms”. Em “Ride” voltamos ao tom melancólico e algo anestésico do início, até “Airbulance”, a última faixa, que confere um fecho circular a este álbum. Apesar da mescla de influências, este é um álbum sólido e coerente, que nos prende do início ao fim, e que pode ser ouvido na íntegra, aqui:
O SHOEGAZE NÃO ESTÁ MORTO
No final dos anos 80 e inícios da década de 90, proliferou pelo Reino Unido um estilo musical caracterizado por riffs de guitarra longos, densos e ensurdecedores e ondas de distorção. Instrumentos e vozes fundiam-se numa mescla de sons puros e etéreos. O termo, difundido pela imprensa britânica, dizia respeito à postura em palco (estática, de “contemplação” dos pés) dos grupos e nada tinha a ver com a sua sonoridade. O shoegaze teve bastante sucesso até ao aparecimento do britpop e do grunge em meados dos anos 90, que o colocaram em segundo plano. Apesar disso, tanto a sonoridade como os grandes grupos da época continuam a influenciar artistas da actualidade. Falamos de nomes como My Bloody Valentine (MBV), tidos como os pioneiros do género e principal referência, com o marcante Loveless, mas também de outros nomes de importantes shoegazers, tais com Ride, Lush, Jesus and Mary Chain ou Chapterhouse. E, de outros, igualmente relevantes mas que alcançaram um relevo mais modesto: Medicine, Revolver ou Swervedriver. Muitas bandas actuais inspiram-se nas características deste género, fundindo-as com outros estilos como o pós-rock, dream pop, rock psicadélico, entre outros, recriando sonoridades diversas e inovadoras. Aqui ficam alguns exemplos.
Fleeting JoysA dupla da Califórnia fundado pelos irmãos John e Rorika Loring em 2005 manifesta claras influências de MBV e de outros grupos como The Jesus and Mary Chain ou Spacemen 3. Com dois álbuns de estúdio - o primeiro, Despondent Transponder, lançado em 2006 (e re-editado em 2010) alcançou críticas muito positivas, e foi, até, posto ao lado do aclamado Loveless. O segundo álbum, Occult Radiance, foi lançado em 2009. Abaixo pode ser ouvida “Magnificent Oblivion”, retirada do primeiro álbum da banda e uma das faixas de destaque:
Ringo Deathstarr: O trio natural de Austin, Texas, foi fundado em 2005 por Daniel Coborn (bateria), Elliott Frazier (guitarra) e Alex Gehring (baixo) e conta com dois álbuns lançados: Colour Trip, álbum de estreia lançado em 2011, e Sparkle, um álbum de compilações lançado no mesmo ano. Frazier, guitarrista, descreve a banda como: “Nós escrevemos canções pop simples e giras, mas simplesmente cobrimo-las em camadas de ruído.” (em, Sonicunyon)A banda acompanhou os Smashing Pumpkins na sua passada digressão, estreando-se em Portugal na primeira parte do concerto destes no Campo Pequeno, em Dezembro do ano passado. Em baixo fica o tema “So High”, do álbum de estreia da banda:
Screen Vinyl Image:A banda de Washington, EUA, formada por Jake Reid e Kim Reid (ex-membros dos Alcian Blue) apresenta uma sonoridade que relembra um encontro entre Jesus and Mary Chain, New Order e Sisters Of Mercy. Uma mistura entre a atmosfera soturna do pós-rock, a distorção “shoegazeana” e ritmos electrónicos. O grupo conta com dois álbuns de estúdio: Interceptors, lançado em 2009 e Strange Behaviour, em 2011, que pode ser ouvido na íntegra aqui:
LSD and the Search for God:
Apesar do curto trabalho da banda, que consiste num EP homónimo lançado no ano de 2007 de cinco faixas, a banda de São Francisco, Califórnia, formada em 2006, conta com características musicais muito próprias que englobam elementos do shoegaze, rock psicadélico e noise rock. Vale a pena conferir "I Don't Care", um dos temas do EP. Entretanto, cá ficaremos à espera de material novo:
O QUE HÁ DE NOVO EM 2012 II
Outlands é o álbum de estreia do grupo natural de Sydney, Australia, editado em Março deste ano, após o lançamento do EP Don’t Be Sorry, em 2009.
Formada em 2008, a banda de indie-pop descreve a sua sonoridade como “os Zombies a dar uma festa na praia para os Portishead”. Este álbum apresenta isso mesmo, uma mistura de géneros que flui na perfeição em canções simples, que pairam entre influências desde o trip-hop, ao surf rock, até ao rock psicadélico.
“Outlands”, a primeira faixa, despertando-nos os ouvidos com um espírito misterioso e algo sombrio e um riff de guitarra inesperado. Surge-nos de seguida “See No Light” com um ritmo vibrante e acelerado, abrindo caminho para um aumento de intensidade em “Girls”, um dos singles, e “Granite City”, que nos levam para os caminhos do britpop dos anos 90 e do indie rock actual.
Já em “Together”, encontramo-nos com o psicadelismo dos conterrâneos Tame Impala, passando por pequenas jóias pop como “Steam”, “The Devil Won’t Take You” e “All The Kids”, que nos soam a banda sonora de um típico amanhecer de verão e nos aguçam o interesse. É impossível também não denotar uma energia retro que nos relembra de Beatles ou de Beach Boys em temas como “Don’t Be Sorry” ou “Lonely In Your Arms”. Em “Ride” voltamos ao tom melancólico e algo anestésico do início, até “Airbulance”, a última faixa, que confere um fecho circular a este álbum. Apesar da mescla de influências, este é um álbum sólido e coerente, que nos prende do início ao fim, e que pode ser ouvido na íntegra, aqui:
O SHOEGAZE NÃO ESTÁ MORTO
No final dos anos 80 e inícios da década de 90, proliferou pelo Reino Unido um estilo musical caracterizado por riffs de guitarra longos, densos e ensurdecedores e ondas de distorção. Instrumentos e vozes fundiam-se numa mescla de sons puros e etéreos. O termo, difundido pela imprensa britânica, dizia respeito à postura em palco (estática, de “contemplação” dos pés) dos grupos e nada tinha a ver com a sua sonoridade. O shoegaze teve bastante sucesso até ao aparecimento do britpop e do grunge em meados dos anos 90, que o colocaram em segundo plano. Apesar disso, tanto a sonoridade como os grandes grupos da época continuam a influenciar artistas da actualidade. Falamos de nomes como My Bloody Valentine (MBV), tidos como os pioneiros do género e principal referência, com o marcante Loveless, mas também de outros nomes de importantes shoegazers, tais com Ride, Lush, Jesus and Mary Chain ou Chapterhouse. E, de outros, igualmente relevantes mas que alcançaram um relevo mais modesto: Medicine, Revolver ou Swervedriver. Muitas bandas actuais inspiram-se nas características deste género, fundindo-as com outros estilos como o pós-rock, dream pop, rock psicadélico, entre outros, recriando sonoridades diversas e inovadoras. Aqui ficam alguns exemplos.
Fleeting Joys
A dupla da Califórnia fundado pelos irmãos John e Rorika Loring em 2005 manifesta claras influências de MBV e de outros grupos como The Jesus and Mary Chain ou Spacemen 3. Com dois álbuns de estúdio - o primeiro, Despondent Transponder, lançado em 2006 (e re-editado em 2010) alcançou críticas muito positivas, e foi, até, posto ao lado do aclamado Loveless. O segundo álbum, Occult Radiance, foi lançado em 2009. Abaixo pode ser ouvida “Magnificent Oblivion”, retirada do primeiro álbum da banda e uma das faixas de destaque:
Ringo Deathstarr:
O trio natural de Austin, Texas, foi fundado em 2005 por Daniel Coborn (bateria), Elliott Frazier (guitarra) e Alex Gehring (baixo) e conta com dois álbuns lançados: Colour Trip, álbum de estreia lançado em 2011, e Sparkle, um álbum de compilações lançado no mesmo ano. Frazier, guitarrista, descreve a banda como: “Nós escrevemos canções pop simples e giras, mas simplesmente cobrimo-las em camadas de ruído.” (em, Sonicunyon)
A banda acompanhou os Smashing Pumpkins na sua passada digressão, estreando-se em Portugal na primeira parte do concerto destes no Campo Pequeno, em Dezembro do ano passado. Em baixo fica o tema “So High”, do álbum de estreia da banda:
Screen Vinyl Image:
A banda de Washington, EUA, formada por Jake Reid e Kim Reid (ex-membros dos Alcian Blue) apresenta uma sonoridade que relembra um encontro entre Jesus and Mary Chain, New Order e Sisters Of Mercy. Uma mistura entre a atmosfera soturna do pós-rock, a distorção “shoegazeana” e ritmos electrónicos. O grupo conta com dois álbuns de estúdio: Interceptors, lançado em 2009 e Strange Behaviour, em 2011, que pode ser ouvido na íntegra aqui:
LSD and the Search for God:
Apesar do curto trabalho da banda, que consiste num EP homónimo lançado no ano de 2007 de cinco faixas, a banda de São Francisco, Califórnia, formada em 2006, conta com características musicais muito próprias que englobam elementos do shoegaze, rock psicadélico e noise rock. Vale a pena conferir "I Don't Care", um dos temas do EP. Entretanto, cá ficaremos à espera de material novo:
Brand New - The Devil and God are Raging Inside Me (2006)
É difícil dizer qual álbum de Brand New os lançou na ribalta. A verdade é que, até agora, nenhum o fez verdadeiramente. Mas se ouvíssemos todos os seus álbuns, não notaríamos apenas o crescimento e maturidade, tanto na música como nas letras, gradualmente adquiridos; veríamos que The Devil and God Are Raging Inside Me é, muito provavelmente, o álbum mais bem conseguido de Brand New.
Sowing Season (Yeah) é a faixa de abertura. O género de música que deixa logo o pressentimento da iminente presença de uma melancolia infinita ao longo de todo o álbum. Composta por Lacey, vocalista (que desde o primeiro álbum da banda tem provado ser um poeta no verdadeiro sentido da palavra), juntamente com o guitarrista Vin Accardi, Sowing Season fala-nos do que já se perdeu, daquilo que faz falta e não se tem, da dor que o fim nos traz e que a verdade carrega. Se é verdade que é essencial que a primeira faixa de um álbum consiga prender os ouvintes, Sowing Season fá-lo, claramente. A agressividade que a música vai gradualmente ganhando prende-nos ainda mais. Não dá para abandonar o navio agora. The Show Must Go On.
… And it does go on, certamente. Millstone é a segunda faixa do álbum, e apesar de não ser tão forte quanto a primeira, é forte o suficiente para não apagar a vontade de continuar a ouvir o álbum. Sendo, com toda a certeza, das músicas mais comerciais do álbum, é fácil gostar de Millstone – nem que seja pela letra, na qual qualquer pessoa se consegue rever com facilidade. Millstone é a mudança. É o olhar em introspectiva e ver que já não somos quem fomos outrora. É o olhar para trás e pensar nos erros, deixar que o arrependimento nos envolva, à medida que nos apercebemos de tudo o que nos fugiu por entre os dedos. É, por 4 minutos e 17 segundos, o deixar de saber quem somos, na verdade.
A partir da terceira faixa, o álbum começa a ganhar uma força inqualificável – e apesar de este ser um facto do qual só nos apercebemos depois de ouvir o álbum repetidamente, depois de ganharmos a sensação de familiaridade com as músicas, é possível apercebermo-nos de que o álbum está a entrar, triunfante, no seu auge.
Jesus (ou Jesus Christ) não nos faz perder a melancolia que se apoderou de nós no início do álbum – Torna-a consistente. Mais calma do que as duas que a antecedem, com apenas pequenos laivos de agressividade, Jesus vale muito pela letra, a fazer contraste com a voz de Lacey, que transporta naturalmente uma tristeza muito característica – somos confrontados com o medo, acima de tudo. O medo do que se segue depois de partirmos deste mundo. O medo de ficarmos sozinhos numa cama fria e grande demais para apenas um corpo. É certamente a música mais melancólica do álbum. E aquela que nos faz, agora com todas as certezas, querer continuar a ouvir o álbum.
Degausser é o nome da quarta faixa. Como descrevê-la sem deixar de fora a sua essência? Parece uma tarefa um tanto ou quanto impossível. Se Jesus consolida os sentimentos que nascem em nós, Degausser fá-los crescer, confere-lhes uma magnitude suprema. Degausser é o travo amargo dos arrependimentos que nos tiram o sono à noite. É o peso no peito que nos impede de respirar, ao mesmo tempo que consegue ser o adeus aos demónios que trazemos connosco e aos fantasmas que seguem todos os nossos movimentos.
Segue-se Limousine. Quem ouve a música pela primeira vez, raramente conhece a história por detrás desta. Limousine é uma alusão à morte de Katie Flynn, uma criança de 7 anos. O condutor da limusine onde Katie se encontrava tinha bebido, pelo que se sabe, mais de 44 bebidas, e um acidente ceifou a vida da menina. Toda a letra gira à volta desse facto, e cada verso transporta consigo uma mensagem muito emotiva, às vezes em demasia. É também das músicas mais emocionantes do álbum. Com uma introdução muito calma, a música vai ganhando força, que depois perde, para a tristeza profunda, e que volta a ganhar, para conferir a Limousine um fim memorável.
E, por falar em memorável, o verdadeiro auge do álbum acaba de chegar.
You Won’t Know é o expoente máximo da mágoa, da fúria, do desespero – toda a dor que a música traz consigo passa a ser a nossa dor. A letra começa a esconder-se num canto qualquer da nossa alma, e alastra-se para a totalidade de quem somos. Cada palavra toca na nossa vida como um dedo toca numa ferida aberta. You Won’t Know é como chegar ao fim do dia e não restar nada a não ser a dor. A dor de ter que se ser.
Welcome to Bangkok acalma tudo aquilo que You Won’t Know despoletou, pelo menos durante o primeiro minuto e meio. Tudo regressa, no entanto – ainda que não com tanta intensidade. Não sendo das faixas mais fortes do álbum, é uma boa instrumental.
Segue-se Not the Sun, muito mais cheery do que qualquer outra música do álbum, até agora. A melancolia que se tem mantido presente esbate-se um pouco aqui, nunca desaparecendo por completo. Mas a letra, não demasiado feliz, nem exageradamente triste, aliada ao ritmo, à sonoridade, faz com que seja a música ideal para se ouvir, ironicamente, num dia solarengo, onde a má disposição e a tristeza não tenha tomado conta de nós.
Luca, a nona faixa, encarrega-se de nos lembrar de que a tristeza não é algo de que nos consigamos ver livres tão facilmente assim. Tal como em algumas músicas anteriores, Luca é sobre a incerteza do que acontece quando partimos: A nossa falta será sentida? Teremos deixado marcas suficientemente profundas em alguém? Não foi a nossa passagem algo meramente superficial nas vidas das pessoas com que lidámos? Luca faz-nos as perguntas, sem nos oferecer as respostas.
Untitled quase passa despercebida no meio do álbum – é, no entanto, uma instrumental melhor do que Welcome to Bangkok. Se ignorarmos as palavras, meio sussurradas, I can never love you, I can never reach you, quase somos invadidos por uma sensação de calma, de paz, de equilíbrio, de chill. Faz desejar que a música dure mais, que não acabe por ali, que haja uma forma de prolongar aquela sensação, que, no fundo, já sabemos efémera.
The Archer's Bows Are Broken volta a trazer-nos a boa-disposição de Not the Sun; talvez até com mais intensidade. Não é, também, das melhores faixas do álbum, mas não falha no propósito de aliviar a tensão causada pelas poderosas Degausser ou You Won’t Know.
O álbum acaba da mesma forma que começa. Handcuffs, a última faixa, marca o retorno, uma vez mais, da melancolia inevitável. É, juntamente com Jesus, a música mais triste. A que mais facilmente nos arranca lágrimas, talvez por a agressividade não ser tão acentuada como é noutras músicas. Passam-se os últimos quatro minutos e onze segundos do álbum – mas a tristeza fica.
Não poderia nunca ir embora agora.
Nota: 10/10
Texto: Leonor Fernandes
Degausser
Limousine
You Won't Know
Texto: Leonor Fernandes
Jeff Buckley – Grace (1994)
Jeff Buckley é um caso singular na música. À partida, poderia ter um futuro na música assegurado, em virtude da fama do seu pai, Tim Buckley. Mas sempre tentou esconder de todos as suas origens, e, até muito tarde, não demonstrou a sua voz extraordinária, manifestamente semelhante à do seu pai. Preferiu aperfeiçoar os seus dotes na execução da guitarra, o que lhe valeu o contacto com diferentes estilos musicais.
Mudou-se para Nova Iorque, a cidade que lhe poderia trazer o sucesso que ele ambicionava. De pressa conseguiu lugar em alguns bares, com especial importância para o mítico Sin-é. As lotações esgotadas começaram a suceder-se para ver o que muitos apelidavam de next big thing.
A (certa) passagem do bar para o estúdio aconteceu pelas mãos da Columbia. Jeff sempre soubera bem o que pretendia, e fez-se rodear de músicos talentosos a quem deu total liberdade na composição dos arranjos dos seus instrumentos, numa acção repleta de humildade, rara no meio artístico.
Após alguns meses de gravação, surgiu Grace, e, apesar de não se ter revelado um grande sucesso comercial, o mundo da crítica musical parou. Rapidamente críticos e músico conhecidos como Bono Vox, Jimmy Page e Robert Plant se aperceberam de que Grace não era somente mais um álbum, mas sim um marco na música Folk.
Mojo Pin é a primeira faixa do álbum. Somos confrontados com um homem que permanece entre o sonho e a realidade. Se o sonho lhe traz a ilusão da felicidade, a realidade depressa trata de acabar com ela. A guitarra parece que sempre ali esteve, a acompanhar-nos a nossa vida inteira. Esquecemos a sua existência, mas necessitamos dela. Concentramo-nos na voz de Jeff, uma voz jovem, repleta de vida mas a quem a vida já tratou de roubar a ingenuidade. Mojo Pin é um crescente de raiva e desilusão. Ele não quer chorar mais, não quer saber de mais nada, está cego e torturado pelo sofrimento.
Grace depressa enta pelos nossos ouvidos e faz-nos recuar um pouco no tempo. Entendemos que Mojo Pin é o fim, o actual. Grace trata-se da explicação do sofrimento. Uma faixa repleta de esperança, de amor, de imortalidade. Cada palavra atinge um lugar bem fundo dentro do nosso coração, que julgávamos impossível de existir. A conjugação da guitarra com a percussão cria em nós um desejo de algo que não sabemos o que é. Resta-nos tentar descobrir se iremos encontrar o que procuramos no álbum.
Last Goodbye é o momento comercial do trabalho. É a continuação da explicação do sucedido. É o erro que despoletou o sofrimento. O refrão em súplica interpretado por Jeff deixa bem claro os seus sentimentos. Estamos prontos para enfrentar Lilac Wine. A faixa embriagada em que a nossa personagem começa a lamentar-se pelo sucedido. O romance falhado por algo que não conseguimos compreender, mas que parece que ainda não acabou. Continua-nos a faltar algo. Este tema, irrepreensivelmente interpretado por Buckley, deixa-nos preparados e abertos para sentirmos o sofrimento atroz em que o nosso personagem está.
So Real inicia o arrependimento, a frustração, a nostalgia, a incapacidade em conseguir suportar-se a si próprio. A sonoridade da guitarra deixa-nos numa angústia tal que nos apetece começar a chorar. A identificação com o sofrimento da personagem está prestes a atingir o clímax.
Hallelujah, a música mais famosa do álbum, é um sonho. Tudo parece perfeito, mas artificial. É uma súplica a Deus, já que não conseguimos suportar o sofrimento. A guitarra de Jeff tem um som angelical, e, conjugada com a sua voz, parece que estamos na presença de algo que não foi composto por uma entidade terrestre e mortal.
Lover, You Should’ve Come Over é o clímax, aquilo porque ansiávamos e, ao mesmo tempo, evitávamos. É impossível conter as lágrimas, e estamos na presença de uma das faixas mais emotivas que existem. Buckley encontra-se num sofrimento impossível de suportar, e só uma grande mestria na expressão de sentimentos é que faz com que seja possível passar para as palavras e sons o estado de espírito de um ser humano profundamente arrependido e desesperado. A música assume-se como uma súplica, o estado máximo de sofrimento.
Impossível de suportar o sofrimento, entramos num estado de coma induzida por Corpus Christi Carol, uma lamentação a Deus pelo sucedido, uma penitência. Acabou, não à volta a dar, mas a esperança mantêm-se inevitavelmente. Eternal Life rebenta nos nossos ouvidos como a mais raivosa das canções do álbum, onde Buckley faz uma agressiva crítica à sociedade e aos seus valores. Dream Brother é a conclusão perfeita, o resumo e a análise de tudo o que se passou. A sua sonoridade, fortemente influenciada por músicas árabes, acaba com a realidade e transporta-nos novamente para o plano do sonho. Estamos prontos a acordar em Mojo Pin, num círculo de sofrimento interminável. Uma obra-prima.
Nota: 10/10
Grace
Lover You Should've Come Over
Texto: João Afonso
Radiohead – The Bends (1995)
Corria o ano de 1995 e os Radiohead, liderados por Thom Yorke, tinham em mãos a árdua tarefa de justificar o êxito mundial que tiveram com o lançamento de Pablo Honey, em 1993, que incluía o sucesso Creep. Se para o público já eram uma grande banda, para os críticos não passavam, ainda, de uma promessa. Pablo Honey não convencia, e soava a Nirvana numa versão light.
O que é facto é que The Bends alcançou a proeza de conseguir conciliar não só o éxito comercial com a aclamação da crítica. Considerado por muitos, a par de Ok Computer, o melhor álbum da banda, este trabalho permitiu aos Radiohead atingirem o patamar de certeza na indústria musical.
Planet Telex inicia a jornada musical, uma espécie de ponte do grunge introspectivo de Pablo Honey e a iniciação à nova sonoridade da banda, que viria a tornar-se a sua imagem de marca durante largos anos. The Bends, a faixa que dá nome ao álbum, é uma música orelhuda, com riffs de guitarra que rapidamente ficam na cabeça, e rapidamente nos deixa envolver na aventura que se afigura à nossa frente.
High and Dry é a música que se segue, e é o tema que, 17 anos depois, continua a ecoar na cabeça de muita gente. A voz aguda de Yorke, característica para quem olha para o passado, torna-se quase mítica nesta faixa repleta de qualidade. Antes que tenhamos tempo para percebermos a real dimensão do que acabámos de ouvir, somos imediatamente confrontados com Fake Plastic Trees, uma das grande obras-primas dos Radiohead. A intensidade e o crescente de emoção que Thom Yorke consegue impor na música ainda hoje em dia espanta muitos melómanos, e chocou o mundo musical da época, que se apercebeu do nascimento de umas novas estrelas.
Bones e (Nice Dream) são a ressaca das duas músicas anteriores, e o período onde o ouvinte se apercebe que está na presença de um clássico da música. Como tudo é pensado num trabalho dos Radiohead, e sem que nada o previsse, a guitarra de Johnny Greenwood irrompe furiosamente pelas colunas, iniciando as hostes de Just, o ponto mais agressivo, comercial e excitante do álbum. O experimentalismo que a banda iria adoptar nos seguintes álbuns poderia ser adivinhado pelo solo desta faixa.
O caminho para o final do álbum é feito numa espiral iniciado pela brilhante e empolgante My Iron Lung, passando pela dramática e intimista Bullet Proof … I Wish I Was, pelas rockeiras e chamativas Black Star e Sulk, terminando com chave de ouro ao som de Street Spirit (Fade Out). Como aconteceu no antecessor e nos subsequentes álbuns, esta última faixa deixa entrever o rumo musical que o próximo trabalho tomará. É, assim, o intimismo, a escuridão e fúria para com a sociedade que caracterizam não só Street Spirit (Fade Out) como o seguinte álbum, Ok Computer.
Nota: 9/10
High and Dry
Just
Texto: João Afonso
Radiohead – Ok Computer (1997)
Descrever Ok Computer, na totalidade, numas breves linhas é tarefa impossível, de todo. Este é um trabalho sobre o qual se poderia escrever um tratado. Isto porque é (e exponho já a conclusão) um dos melhores álbuns de sempre.
The Bends lançou os Radiohead, definitivamente, para o estrelato, mas esse é um patamar que precisa de ser consolidado. A banda não só o consolidou como ainda, numa acção quase inigualável, se lançou para o patamar dos deuses da música. E isto apenas ao terceiro álbum !
Airbag indicia, desde logo, a mudança nas estruturas adoptadas pelos Radiohead. Acabaram-se os refrões risonhos e orelhudos, acabou-se a previsibilidade do que se poderia seguir na música. A surpresa apodera-se a todo o instante do ouvinte, e o primeiro grande espanto vem com a segunda música: Paranoid Android. Não falo de apenas mais uma música em mais um álbum de mais uma banda. Falo da melhor música do melhor álbum de uma das melhores bandas de sempre. Paranoid Android está para os Radiohead como Bohemian Rhapsody está para os Queen. Uma música onde as capacidades artísticas de cada um dos integrantes da banda são levadas ao extremo. Uma sinfonia Rock em todo o seu esplendor, que é incapaz de deixar alguém indiferente.
Subterrianian Homesick Alien acalma um pouco o ritmo e deixa-nos envolver no misticismo e no ambiente obscuro em que já fomos colocados. Os riffs de Greenwood continuam a espalhar-se um pouco por todo o lado, num sufoco que parece não acabar. Quando pensamos que este não podia ser maior, eis que surge Exit Music (For A Film), uma música inspirada no famoso romance entre Romeu e Julieta, e que nos deixa com as lágrimas prestes a brotar dos nossos olhos. A voz de Yorke parece atingir-nos em cheio o coração, e partilhamos do seu sofrimento e angústia. A entrada do baixo altamente distorcido faz-nos sentir a raiva, os coros deixam-nos uma certa nostalgia. Uma mistura de sentimentos que nos deixa adormecidos numa espécie de coma musical.
Let Down é o acordar, o redescobrir o mundo, voltar a sorrir, voltar a andar, voltar a amar tudo o que há de belo. Mas a felicidade é efémera, e Karma Police trata de nos virar, de novo, contra a sociedade, as pessoas, nós próprios. Esta faixa é um êxito global, cantada nos quatro cantos do mundo, prova da sua qualidade inegável. Electioneering é uma mistura entre os Oasis e os U2, e é um ponto comercial no álbum, onde podemos sentir raiva e energia ao mesmo tempo. Climbing Up The Walls retira-nos a energia mas dá-nos uma quantidade enorme de escuridão, dá-nos a provar, novamente, a dimensão obscura e a parte negra dos Radiohead. Ficamos embriagados na batida de Phil Selway e extasiados na voz distante de Thom Yorke.
E, sem que nada o fizesse prever (novamente), surge No Surprises, um claro single, uma música triste e ternurenta simultaneamente. Podemos senti-la como a perda de uma inocência juvenil. Fala-nos um homem amargurado, desiludido com a vida, nostálgico com o passado. Há algo de verdadeiramente cativante nesta faixa que se assume como um marco na carreira dos Radiohead.
Sentimos, claramente, o fim a aproximar-se, mas a banda deixa-nos mais duas faixas fantásticas para a despedida. Lucky e The Tourist só podem agradar a qualquer ouvinte, e vêm completar uma corrente de êxitos e qualidade musical. Ficamos com uma estranha sensação de vazio depois de ouvir Ok Computer. Falta-nos algo, uma tristeza imensa apodera-se de nós. Resta-nos carregar no play e deixarmo-nos, mais uma vez, envolver pela magia que este álbum tem.
Nota: 10/10
Paranoid Android
Karma Police
Texto: João Afonso
Bon Iver – For Emma, Forever Ago (2007)
Justin Vernon fechou-se numa cabana durante 3 meses, isolado do mundo, sem contactar com ninguém. Uma forte desilusão amorosa fez com que tomasse esse rumo, e, sem saber, mudou a sua vida. O resultado da experiência foi a composição de For Emma, Forever Ago que lhe valeu o início do reconhecimento que hoje lhe é dado.
Flume insere-nos naquela cabana, naquele tempo, naquele estado de espírito. Somos confrontados, pela primeira vez, com os falsetes de Justin Vernon, e uma profunda nostalgia abate-se sobre nós. Lump Sum afecta-nos de igual forma e apercebemo-nos da importância que a guitarra tem nesta gravação. O contraste da voz com o instrumento, o minimalismo desta dualidade, faz-nos sentir de uma forma que diríamos, à partida, ser impossível.
Skinny Love é o single do álbum, e também a sua melhor música. Vernon demonstra-nos toda a sua raiva para com o amor que acabou. Percebemos que além de um exímio música é um excelente poeta, brincando com as palavras que por vezes são incompreensíveis devido à sua pronúncia cerrada. The Wolves (Act I and II) deixa-nos completamente arruinados. Como será possível impor tanta tristeza numa música apenas? Vernon lamenta-se sobre o que poderá ter corrido mal, onde falhou, quais são os erros. Os silêncios são cruciais nesta faixa, e aqui está uma mestria que nem todos dominam: fazer música com o silêncio.
Blindsided lembra-nos as noites sem sono que todos nós já tivemos, onde pensamos nos nossos erros e em como seria o nosso presente se ao menos tivéssemos a chance de mudar o nosso passado. Creature Fear é um grito de revolta, um renascer, uma oportunidade de voltar a ser feliz. Vernon está disposto a construir algo diferente: um tributo ao passado. For Emma é isso mesmo, uma homenagem do presente destinada ao passado. É a mais completa das músicas sob o ponto de vista da instrumentação.
Re: Stacks é o cessar do trabalho. Vernon admite a sua condição, não se sente reconfortado com isso, a dor é muita, mas pela primeira vez durante todo o álbum, olha para o futuro. Há muito por onde caminhar e muito caminho por construir.
Nota: 8/10
Skinny Love
The Wolves (Act I and II)
Texto: João Afonso
Capitão Fausto - Gazela (2011)
O que acontece se juntarmos os Tame Impala a José Cid? O resultado é uma das mais agradáveis surpresas do ano de 2011, o fantástico álbum de estreia dos Capitão Fausto: Gazela. São 5 jovens, amigos de infância, que se juntaram para formar uma, inicialmente, banda de covers. Houve química de banda e resolveram prosseguir o bom trabalho. Uma proposta irrecusável de trabalho em Ibiza levou-os à descoberta de terras espanholas, e permitiu-lhes amadurecer enquanto conjunto e modelar o seu corpulento Indie Rock, com laivos de Rock Progressivo.
O seu EP de estreia tinha profetizado aquilo que se viria a concretizar em Gazela. Exímios executantes, são inteligentes na forma como usam os coros de “nananas” que fazem lembrar os Beatles, bem como na construção de um estilo que sorri a bandas de renome como Arctic Monkeys, Franz Ferdinand ou The Strokes. A voz crua de Tomás Wallenstein, o baixo electrizante de Domingos Coimbra, os teclados vibrantes de Francisco Ferreira, os riffs poderosos de Manuel Palha e a energia da bateria de Salvador Seabra fazem com que os seus ouvintes queiram bater o pé, saltar, dançar, enfim… festejar!
Música Fria inicia da melhor maneira o álbum. Uma música tímida, que introduz o ouvinte ao que se irá passar a seguir. Não é explosiva, mas tem os já famosos coros dos Capitão Fausto. Podemos assistir a uma espécie de aquecimento para a seguinte música. Falo pois de Teresa, o single do álbum, uma electrizante canção que traz consigo o que de melhor existe na cena Indie Rock. Os teclados fazem-se ouvir sonoramente, o refrão fica facilmente na cabeça e a dança executada no videoclip é irresistível. É possível descobrir o mesmo glamour da voz de Alex Krapanos, dos Franz Ferdinand, em Tomás Wallenstein, bem como o ritmo festivo de Fabrizio Moretti, dos Strokes, na bateria de Salvador Seabra. Febre é uma digna sequência de Teresa. Igualmente festiva, é contagiante no seu refrão preenchido por “nanana”. Ao vivo, esta deve ser uma das músicas que melhor resulta. É impossível não querer dançar. Verdade é a faixa que se segue, e mantêm o tom que se impôs ao longo do álbum. A esta altura está demonstrada toda a maturidade que os Capitão Fausto possuem, invulgar numa banda tão jovem.
Super Nova é o ponto alto do álbum. É uma faixa que transitou do EP para o seu álbum de estreia, mas demonstra toda a capacidade musical que estes cinco lisboetas possuem. Contagiante, alegre, colorida, é uma música que relembra que em Portugal existem muitas jovens bandas de valor, que, com algum crédito, podem ir longe.
Gazela, faixa que dá nome ao álbum, é o momento intimista do álbum, e, talvez, o seu calcanhar de Aquiles. Funciona como um interlúdio, uma calmaria no meio de tanta festividade, uma espécie de intervalo, mas, no entanto, fica a sensação de que está a mais neste trabalho.
Santa Ana rapidamente remedeia o erro cometido, e introduz novamente o tom alegre e popular que os Capitão Fausto foram construindo ao longo do álbum. Em Sobremesa percebe-se as referências que a banda faz a José Cid e ao seu Rock Progressivo. Uma música madura que poderá apontar caminho para o que será o futuro desta jovem banda. Ora a influência deste grande nome da música portuguesa é notória, pelo menos a julgar pela faixa intitulada Zécid, uma clara homenagem ao compositor português. Faz lembrar, de facto, aqueles tempos de 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte.
Raposa funciona como a despedida do trabalho de estreia da banda, com um piscar de olho, pois, de certo, não se ficarão por aqui. Capitão Fausto são a prova viva de que existe boa música em Portugal, e que está a surgir uma nova geração de artistas que têm qualidade suficiente para fazer face aos monstros internacionais da música. Viva o Capitão!
Nota: 7/10
Teresa
Super Nova
Teresa
Super Nova
Texto: João Afonso
Pepe Deluxé
Queen of The Wave (2012)
Queen of The Wave (2012)
1 | Queenswave | 4:54 | |
| 2 | A Night and a Day | 4:04 | |
| 3 | Go Supersonic | 4:44 | |
| 4 | Temple of Unfed Fire | 2:48 | |
| 5 | Contain Thyself | 3:52 | |
| 6 | Hesperus Garden | 4:09 | |
| 7 | Grave Prophecy | 4:33 | |
| 8 | In The Cave | 1:51 | |
| 9 | My Flaming Thirst | 3:49 | |
| 10 | Iron Giant | 2:22 | |
| 11 | The Storm | 3:43 | |
| 12 | Riders on the First Ark | 7:18 |
Pop Quizz. Estão prontos? O que dá ao se misturarem o "The ArchAndroid" da Janelle Monáe, surf rock dos anos 60, os temas do James Bond, uma ópera de Wagner e uma história sobre a Atlântida ? Se a vossa resposta é: "não faço ideia", então claramente nunca ouviram o mais recente álbum dos Pepe Deluxé intitulado de "Queen of the Wave".
Retirando influências daqui e dali do mundo da pop, mas conseguindo roçar no baroque, "Queen of the Wave" apresenta-se como a história da queda da Atlântida, o mítico continente que remonta aos contos de Platão. As influências do rock psicadélico, a boa utilização de "hooks", a magnitude e o optimismo incomparável deste álbum, lançado dia 30 de Janeiro de 2012, fazem-no um dos mais fortes do ano até agora. Também não magoa ter umas faixas-interlúdios extremamente atmosféricas ("In the Cave") e que agarram a nossa atenção logo a primeira vez que as ouvimos ("Temple of the Unfed Fire" e "Iron Giant")
A faixa de abertura "Queenswave" é a minha preferida. A melodia é calma e resguardada mas intoxicante, enquadrando elementos de electrónica, um toque de sintetizadores e até, parece-me, uma flauta de pã. A voz masculina praticamente não se ouvirá mais ao longo do álbum, o que é uma pena.
Já "A Night and a Day", "Hesperus Garden", "My Flaming First" e "Go Supersonic" não tem medo de nos apresentar as suas influências à cabeça com as três primeiras a fazerem lembrar Janelle Monáe, e a última a retira uma fatia do sunshine pop de décadas passadas. Algumas falham como "My Flaming Thirst", que grita a plenos pulmões PONHAM-ME NUMA SOUNDTRACK DO JAMES BOND. Infelizmente acaba por perder o sabor. "A Night and a Day" é algo banal, mas "Supersonic" e "Garden" sao refrescantes, acabando a primeira por 'descambar' numa total ópera Wagneriana.
"Contain Thyself" faz mesmo lembrar um qualquer cântico céltico, com especial atenção para as melodias vocais. A profética "Grave Prophecy" tem um interlúdio lindíssimo, anunciando a queda do mítico continente, e no geral é um dos pontos mais fortes do álbum. O final da música é um clímax de xilofones, bateria, sintetizadores e coros.
O relato da queda recai sobre a épica "The Storm" cuja magnitude, deixa dúbia o enquadramento deste álbum no campo pop. Mesmo assim com um solo de surf rock no meio e com camada sobre camada de instrumentalização, a sua grandeza é inegável, fazendo-nos de facto sentir que algo urgente está a acontecer.
Para acabar temos uma leva de humor com a melancólica "Riders of the First Ark" que faz regressar a voz masculina:
"All the fauna with two horns
He forgot the unicorns"
E é por isto que não temos unicórnios hoje em dia senhoras e senhores : O povo da Atlântida durante a evacuação, quando o seu continente estava a ruir para debaixo do mar, esqueceu-se de trazer os unicórnios.
Prós: Nostálgico mas futurista, estranho mas familiar . Camadas de instrumentalização sem nunca perder de vista o surf/sunshine pop-rock que está na génesis do álbum. Divertido, optimista e curioso com uma magnitude 10 na escala de Richter em faixas como "The Storm" e "Go Supersonic".
Contras: Demasiado disperso em termos de estilos musicais. Algumas faixas gastam-se rapidamente. Encosta-se excessivamente à sombra das suas influências.
Faixas de destaque: "Queenswave" ; "Go Supersonic" ; "Hesperus Garden" ; "Grave Prophecy" ; "The Storm"
Pontuação: 8.1
Queenswave:
Texto: João Carrilho
"Dopethrone" - Electric Wizard (2000)
Género Musical : Doom Metal / Stoner Metal/ Sludge Metal
"Getz/Gilberto" - Stan Getz e João Gilberto (1964)
Género Musical : Bossa Nova / Jazz
"I See a Darkness" - Bonnie "Prince" Billy (1999)
Género Musical : Alternative Country / Folk
"Lift Yr. Skinny Fists Like Antennas to Heaven!" - Godspeed You ! Black Emperor (2000)
1- Storm 22:32
2- Static 22:35
3- Sleep 23:17
4- Antennas to Heaven 18:57
Género Musical : Post-Rock / Experimental-Rock / Ambient
"Marquee Moon" - Television (1977)
Género Musical - Post-Punk/ Art-Punk
"Pink Moon" - Nick Drake (1972)
Género Musical : Folk
"Since I Left You" - The Avalanches (2000)
Género Musical : Dance Alternativo
Good Morning, Captain
"Summerteeth" - Wilco (1999)
Género Musical : Lo Fi Folk / Folk Psicadélico
A par do "In the Aeroplane Over the Sea" é o melhor álbum do género. Contido instrumentalmente nalgumas faixas("como "Headless Horseman") mas abrasivo quase shoegaze noutras (como "The Moon"), em qualquer dos dois lados da moeda que oiçam, a beleza é indiscritível.
Texto: João Carrilho
Texto: João Carrilho
Bon Iver
Bon Iver, Bon Iver (2011)
Qualquer músico, numa dada altura da sua carreira, depara-se com um velho dilema: “Fazer música para mim que pode agradar ao público, ou fazer música para o público que me pode agradar?”. A segunda via é, claramente, a que a maior parte dos artistas conhecidos toma. Mas ser um músico conhecido é efémero. Aqueles que permanecerão para sempre na história, que conquistaram um lugar de estrelas, foram inovadores, arrojados e irreverentes: tomaram, portanto, a primeira via.
Justin Vernon, o “faz tudo” dos Bon Iver, é um desses músicos sem medo de fazer a música de que gostam. Estreou-se no ano de 2008 com o álbum For Emma, Forever Ago, que não passou despercebido a muito gente, especialmente críticos e fãs da cena indie folk. Diz-se que Vernon enclausurou-se durante três meses numa cabana, em Wisconsin, depois de uma desilusão amorosa, e, da sua arte, nasceu um álbum fantástico, intimista, que torna a tristeza num lugar que nos apetece procurar ouvindo Bon Iver.
Ora, se For Emma, Forever Ago nos faz procurar esse lugar e lembra o inverno (Bon Iver vem de Bon Hiver – Bom Inverno em francês), Bon Iver, Bon Iver, o novo trabalho, lembra-nos o Verão, e existe como que um desabrochar daquela flor que estava murcha no primeiro álbum. A estação fria deu lugar ao calor. Os falsetes mantêm-se, mas, de um álbum minimalista, composto (quase) somente por uma guitarra, voz e batida, a sonoridade evoluiu para uma imponente sinfonia de sons magistralmente ordenados por Vernon.
Perth, a faixa de abertura, denuncia aquilo que é a grande evolução dos Bon Iver. A guitarra do frontman, já tradicional, abre as hostes, tal como acontecia com o álbum precedente. Porém, inesperadamente, é a bateria (uma das grandes estrelas do trabalho) que marca o início deste trabalho épico. Um som crescido, maduro, inteligente e arrojado. Nota-se que existe um aprumado trabalho em todos os pequenos detalhes. A audição não é fácil. À primeira fica-se surpreso, à segunda não se gosta, à terceira começa-se a reparar nos pormenores, e só à décima vez que se escuta o álbum é que se chega à conclusão que estamos perante uma obra-prima. Os Bon Iver deixaram de trabalhar exclusivamente no campo da Folk. Este trabalho envolve muito mais do que isso. Sorri à Pop, acena ao Synth dos anos 80 e cumprimenta efusivamente o Rock.
Minnesota, WI é uma continuação de Perth, e por isso segue a contínua apresentação dos instrumentos, num ritmo ondulante, nunca previsível e nem sempre convencional. Feitas as apresentações, chega o ponto alto (talvez o maior) do álbum. Holocene é das melhores músicas compostas no novo século. São estas preciosidades escondidas no meio da música que fazem valer a pena viver a vida e vasculhar os recantos da arte. O dedilhar de guitarra característico está lá, bem como os falsetes. A música lança-nos para uma odisseia de sons, somos transportados para uma dimensão diferente. É impossível não nos comovermos a ouvir tal beleza. “… and at once I knew, I was not magnificient”, diz Vernon a certa altura, mas a verdade é que aquilo que estamos a escutar é magnífico.
Towers é a ressaca da música anterior e é um daqueles pontos do álbum que esboça um maior sorriso à pop com requintes de country. Não é genial, mas assenta que nem uma luva na sequência do álbum, como se preparasse a chegada de Michicant. Nesta faixa, as vozes são usadas de uma maneira áurea, que nos transporta num passeio celeste, calmo e reconfortante, com destino a Hinnom, TX, um interlúdio que nos permite assentar bem os pés no chão. A aterragem é feita através da voz grave de Vernon, mas rapidamente nos lembramos da fantástica jornada que tivemos até agora com os vislumbres dos falsetes já conhecidos. Com a belíssima Wash., somos de novo elevados a uma dimensão superior, e podemos prever que se aproxima algo de fantástico, de novo. Sentimos a palpitação a crescer, o sorriso é impossível de disfarçar, bem como o deleite ao ouvir tão magnífica obra de arte.
O clímax do álbum chega com a já esperada (inconscientemente) Calgary. Se Skinny Love (single do primeiro álbum dos Bon Iver) é o passado e Holocene o presente, Calgary denuncia aquilo que será o futuro da banda. Apetece gritar a plenos pulmões o esboço de refrão, apetece que esta seja a banda sonora da nossa vida, que nos acompanhe por toda a parte. Calgary dá-nos a conhecer o mundo que não podemos presenciar no dia-a-dia. O medo vai-se apoderando de nós à medida que percebemos que a nossa jornada em Bon Iver, Bon Iver está prestes a acabar. Lisbon, OH é o despertar do sonho, existe uma certa tristeza e nostalgia. O que é bom acaba sempre depressa. Mas Justin Vernon tem ainda uma surpresa preparada para o ouvinte. Beth/Rest é a improvavél faixa que encerra este genial álbum. Porque depois de qualquer viagem ficam as boas memórias, esta música apela-nos exactamente a isso, ao som dos sintetizadores que parecem saídos de uma música dos anos 80.
Termina a viagem, acabou o sonho. A vida real não é perfeita, existem demasiados problemas que nos impedem de ser felizes. No entanto, álbuns como este fazem-nos começar uma nova viagem, onde tudo é perfeito. A felicidade encontra-se em Bon Iver, Bon Iver.
Nota: 10/10
Holocene
Calgary
Texto: João Afonso
10 álbuns que vocês nunca ouviram mas que têm de ouvir
"Dopethrone" - Electric Wizard (2000)
| 1 | Vinum Sabbathi | 3:06 | |
| 2 | Funeralopolis | 8:43 | |
| 3 | Weird Tales | 15:04 | |
| i. Electric Frost | |||
| ii. Golgotha | |||
| iii. Altar of Melektaus | |||
| 4 | Barbarian | 6:29 | |
| 5 | I, the Witchfinder | 11:03 | |
| 6 | The Hills Have Eyes | 0:47 | |
| 7 | We Hate You | 5:08 | |
| 8 | Dopethrone | 20:48 |
Género Musical : Doom Metal / Stoner Metal/ Sludge Metal
São poucos os álbuns de metal que me conseguem deixar entusiasmado, e isto seria ainda menos de esperar de um estilo tão viscoso como o doom metal. No entanto a força e energias desmedidas não deixam manobra para dúvidas : a par do "Leviathan" dos Mastodon é o álbum de metal do século 21.
Funeralopolis
"Getz/Gilberto" - Stan Getz e João Gilberto (1964)
| A1 | The Girl From Ipanema | 5:15 | |
| A2 | Doralice | 2:45 | |
| A3 | P'ra Macuchar Meu Coração | 5:07 | |
| A4 | Desafinado | 4:05 | |
| B1 | Corcovado | 4:15 | |
| B2 | Só Danço Samba | 3:30 | |
| B3 | O Grande Amor | 5:25 | |
| B4 | Vivo Sonhando | 2:52 |
Género Musical : Bossa Nova / Jazz
Ok eu admito que muitos de vocês terão ouvido a "Garota de Ipanema" começando com os míticos versos "Olha que coisa mais linda mais cheia de graça(...)", mas terão ouvido o resto do álbum ? Bem me parecia ...
Uma obra definitiva para os amantes de jazz com o brilhante saxofonista Stan Getz na luz da ribalta. A voz de João Gilberto é relaxante e as letras sobre fracassos amorosos deixam um travo melancólico mas um sorriso de compaixão nos lábios . NOTA : Até quando o álbum se debruça sobre a língua inglesa com a voz gentil da mulher de João, Astrud, este é impactuante.
Um essencial para quem quer música em português.
Doralice
| 1 | A Minor Place | 3:43 | |
| 2 | Nomadic Revery (All Around) | 3:58 | |
| 3 | I See a Darkness | 4:49 | |
| 4 | Another Day Full of Dread | 3:10 | |
| 5 | Death to Everyone | 4:31 | |
| 6 | Knockturne | 2:17 | |
| 7 | Madeleine-Mary | 2:31 | |
| 8 | Song for the New Breed | 3:23 | |
| 9 | Today I Was an Evil One | 3:52 | |
| 10 | Black | 3:45 | |
| 11 | Raining in Darling | 1:52 |
Género Musical : Alternative Country / Folk
Caracterizado por acordes de piano dispares e que timidamente aparecem, mas liricamente emotivo e carregado.A música que dá o nome ao álbum até foi feita "cover" pelo mítico Johnny Cash. "I See a Darkness" é atormentado por pensamentos suicidas e por lugares imaginários principalmente na títulação das músicas ("Another Day Full of Dread" ou "Death to Everyone"), mas a luz ao fundo do túnel nunca está longe :
"Today was another day full of dread
But I never said I was afraid
Dread and fear should not be confused
By dread I'm inspired, by fear I'm amused"
Só esperemos que a luz nao seja um comboio a vir na nossa direção.
I See a Darkness
"Lift Yr. Skinny Fists Like Antennas to Heaven!" - Godspeed You ! Black Emperor (2000)
1- Storm 22:32
2- Static 22:35
3- Sleep 23:17
4- Antennas to Heaven 18:57
Género Musical : Post-Rock / Experimental-Rock / Ambient
Digo isto à cabeça : este é de longe o melhor álbum de post-rock que alguma vez vão ouvir . Esqueçam os Mogwai, os Sigur-Rós e os Explosions in the Sky : isto sim vale a pena.
Desde os crescendos inigualáveis de "Storm", até à beleza explosiva de "Static", os Godspeed You ! Black Emperor conseguem o feito de criar 4 músicas de 20 e tal minutos que agarram a vossa atenção prendendo-a durante a totalidade deste álbum duplo. Até nos seus momentos mais ambientais como o princípio da "title-track" "Antennas to Heaven" o álbum é tocante. Resta dizer que é um álbum quase 100% instrumental à excepção de algumas conversas "ambiente" às vezes a solo outras vezes magnificamente acompanhadas por toda uma sorte de instrumentos de cordas, como violinos (por exemplo em "Static").
Se não tiverem paciência para ouvir músicas de 20 minutos façam-me o favor de no mínimo ouvir o crescendo inicial da "Storm" durando sensivelmente 6 minutos e pouco. Vale muito a pena.
Storm
"Marquee Moon" - Television (1977)
| 1- See No Evil | 3:56 | ||||
| 2- Venus | 3:48 | ||||
| 3- Friction | 4:43 | ||||
| 4- Marquee Moon | 9:58 | ||||
| 5- Elevation | 5:08 | ||||
| 6- Guiding Light | 5:36 | ||||
| 7- Prove It | 5:04 | ||||
| 8- Torn Curtain | 7:00 |
Género Musical - Post-Punk/ Art-Punk
Antes dos Joy Division houve o "Marquee Moon" dos Television. Influente até dizer chega é a definição de um clássico.Se ouvirem com muita atenção conseguem ouvir as influências que levaram ao revivalismo do garage rock (The Strokes, Balkans, Wavves) neste álbum. Nota Mental para o leitor : Se querem ouvir um álbum em que a guitarra é AWESOME .... não procurem mais.
See No Evil
"Pink Moon" - Nick Drake (1972)
| A1 | Pink Moon | 2:06 | |
| A2 | Place to Be | 2:43 | |
| A3 | Road | 2:02 | |
| A4 | Which Will | 2:58 | |
| A5 | Horn | 1:23 | |
| A6 | Things Behind the Sun | 3:57 | |
| B1 | Know | 2:25 | |
| B2 | Parasite | 3:36 | |
| B3 | Free Ride | 3:06 | |
| B4 | Harvest Breed | 1:37 | |
| B5 | From the Morning | 2:30 |
Género Musical : Folk
Sem nunca passar dos 4 minutos por música, Nick Drake (artista venerado, e a meu ver muito justamente, do folk) cria um dos álbuns mais intimistas de sempre. À excepção de "Pink Moon", com 30 segundos de piano, este álbum é a voz de Nick e a sua guitarra acústica. Sem truques, sem magia de estúdio.
A voz que faz lembrar uma almofada a flutuar num rio, um trabalho de "finger-picking" de guitarra de fazer chorar Jimi Hendrix, e letras melancólicas sobre o ter passado os momentos áureos da vida sem deixar marca, conseguem levar o ouvinte a reflectir e a invejar o talento de Drake.
Nick acabaste a sua carreira brilhantemente... descansa em paz.
Free Ride
"Since I Left You" - The Avalanches (2000)
| 1 | Since I Left You | 4:20 | |
| 2 | Stay Another Season | 2:20 | |
| 3 | Radio | 4:21 | |
| 4 | Two Hearts in 3/4 Time | 3:22 | |
| 5 | Avalanche Rock | 0:23 | |
| 6 | Flight Tonight | 3:52 | |
| 7 | Close to You | 3:56 | |
| 8 | Diners Only | 1:34 | |
| 9 | A Different Feeling | 4:23 | |
| 10 | Electricity | 3:29 | |
| 11 | Tonight | 2:20 | |
| 12 | Pablo's Cruise | 0:53 | |
| 13 | Frontier Psychiatrist | 4:46 | |
| 14 | Etoh | 5:03 | |
| 15 | Summer Crane | 4:39 | |
| 16 | Little Journey | 1:36 | |
| 17 | Live at Dominoes | 5:38 | |
| 18 | Extra Kings | 3:45 |
Género Musical : Dance Alternativo
Um álbum construído 100% a partir de uma colagem de samples. Fluindo extraordinariamente bem chega a parecer uma única música. Rítmico, catchy e viciante, só tenho 5 palavras : Let's get jiggy with it !!!!!!!
Since I Left You
"Spiderland" - Slint (1991)
| 1 | Breadcrumb Trail | 5:55 | |
| 2 | Nosferatu Man | 5:34 | |
| 3 | Don, Aman | 6:28 | |
| 4 | Washer | 8:50 | |
| 5 | For Dinner... | 5:05 | |
| 6 | Good Morning, Captain | 7:39 |
Género Musical : Math-Rock
"Good Morning, Captain" é geralmente conhecido como o lado negro de "Stairway to Heaven". Este é um álbum que gerou álbums, criando o math-rock : um estilo arrítmico e assincrono, caracterizado por falta de noção temporal, letras soturnas e mudanças bruscas entre distorção e "clean". As histórias metafóricas (abertas para interpretação) narradas por Brian MacMahan são tão dispares como um encontro com uma cartomante em "Breadcrumb Trail", até a um príncipe perpetuamente deprimido em "Nosferatu Man" passando pela revelação de um laço de sangue outrora desconhecido em "Good Morning Captain". Como diz um "fellow reviewer" :
" "Spiderland" vai destruir a tua alma e comê-la por dentro. Vai assustar-te e fazer a tua psique tremer. E vale tanto a pena"
Good Morning, Captain
"Summerteeth" - Wilco (1999)
| 1 | Can't Stand It | 3:46 | |
| 2 | She's a Jar | 4:43 | |
| 3 | A Shot in the Arm | 4:19 | |
| 4 | We're Just Friends | 2:44 | |
| 5 | I'm Always in Love | 3:41 | |
| 6 | Nothing'severgonnastandinmyway(again) | 3:20 | |
| 7 | Pieholden Suite | 3:26 | |
| 8 | How to Fight Loneliness | 3:53 | |
| 9 | Via Chicago | 5:33 | |
| 10 | ELT | 3:46 | |
| 11 | My Darling | 3:38 | |
| 12 | When You Wake Up Feeling Old | 3:56 | |
| 13 | Summer Teeth | 3:21 | |
| 14 | In a Future Age | 2:57 |
Género Musical : Indie Rock / Alternative-Rock / Pop-Rock
Sim é verdade que não é nenhum "Yankee Hotel Foxtrot", mas olhem-me na cara e digam-me que se ouvirem "Can't Stand It", "She's a Jar", "Shot in the arm", "I'm Always in Love", "Nothing'severgonnstandinmyway(again)", ou "Via Chicago" não ficam com a música presa na cabeça todo o dia ?
Uma demonstração de bom "song-writing" é um álbum catchy e interessante sem nenhuma faixa para "encher-chouriços".
Sim é verdade que não é nenhum "Yankee Hotel Foxtrot", mas olhem-me na cara e digam-me que se ouvirem "Can't Stand It", "She's a Jar", "Shot in the arm", "I'm Always in Love", "Nothing'severgonnstandinmyway(again)", ou "Via Chicago" não ficam com a música presa na cabeça todo o dia ?
Uma demonstração de bom "song-writing" é um álbum catchy e interessante sem nenhuma faixa para "encher-chouriços".
Can't Stand It
"The Glow Pt. 2" - The Microphones (2001)
| 1 | I Want Wind to Blow | 5:32 | |
| 2 | The Glow, Pt. 2 | 4:58 | |
| 3 | The Moon | 5:17 | |
| 4 | Headless Horseman | 3:10 | |
| 5 | My Roots Are Strong and Deep | 1:53 | |
| 6 | Instrumental | 1:38 | |
| 7 | The Mansion | 3:33 | |
| 8 | (Something) | 1:46 | |
| 9 | (Something) | 2:53 | |
| 10 | I'll Not Contain You | 2:50 | |
| 11 | The Gleam, Pt. 2 | 1:58 | |
| 12 | Map | 5:00 | |
| 13 | You'll Be in the Air | 2:41 | |
| 14 | I Want to Be Cold | 1:41 | |
| 15 | I Am Bored | 1:36 | |
| 16 | I Felt My Size | 2:19 | |
| 17 | Instrumental | 1:56 | |
| 18 | I Felt Your Shape | 1:55 | |
| 19 | Samurai Sword | 4:07 | |
| 20 | My Warm Blood | 9:27 |
A par do "In the Aeroplane Over the Sea" é o melhor álbum do género. Contido instrumentalmente nalgumas faixas("como "Headless Horseman") mas abrasivo quase shoegaze noutras (como "The Moon"), em qualquer dos dois lados da moeda que oiçam, a beleza é indiscritível.
Headless Horseman
Texto: João Carrilho






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