Memória de Peixe
O projecto musical Memória de Peixe esteve no passado dia 21 de Maio na PT
Bluestation (Baixa-Chiado). Para quem nunca ouviu falar, este é um projecto do
guitarrista Miguel Nicolau, e do baterista Nuno Oliveira.
O porquê do nome prende-se precisamente com a sonoridade que este grupo nos
oferece. Criam canções em tempo real, através de loops de guitarra,
acompanhados pela bateria. Improvisação é a palavra-chave, que leva a que a
repetição de esqueça e se transforme constantemente – “tal e qual como um peixe
que vai vivendo o seu próprio esquecimento”.
Se queres ficar a conhecer melhor este projecto português, segue o seu
facebook (https://www.facebook.com/memoriadepeixe)
e myspace (http://www.myspace.com/memoriadepeixept),
onde podes ainda ouvir algumas músicas. Por agora, aqui fica a sugestão:
(texto: Leonor Fernandes)
AXIOMA
Quatro
alunos da Universidade de Évora juntam-se para apresentar um estilo de música
que combina influências de rock progressivo, metal, folk, e até música
clássica. Resultado? “De ouvir e chorar por mais”.
Os
AXIOMA, compostos por Carolina Resende (violino), Hugo Santos (violino),
Fernando Álvarez (violoncelo), e Daniel Safara (bateria), estiveram no passado
Sábado (19/05/12) no bar JP2, em Reguengos de Monsaraz. Por lá, ouviu-se de
tudo um pouco, desde originais a covers de Prodigy, e as atenções do pequeno
público que estava no bar concentraram-se de imediato naquela sonoridade tão
particular. Fernando Álvarez, no seu português arranhado, ocupou-se de fazer as
apresentações, da banda e das músicas; “Este espanhol não se cala”, comenta
Daniel, baterista, durante o intervalo do concerto, onde os músicos da banda se
detêm a conversar com as pessoas presentes no bar.
Inspirados
por artistas como Apocalyptica, System of a Down, Metallica, Dream Theater, ou
mesmo Skrillex e Pendulum, os AXIOMA afirmam ter surgido com o intuito de tocar
um estilo de música diferente daquilo a que eles estão habituados, pois os
quatro elementos pertencem ao curso de música da Universidade, no ramo de
interpretação clássica.
No
final do concerto, a reacção foi unânime: “Mais uma, mais uma”, e as poucas
pessoas que por lá estavam depressa pareciam ser o dobro, as vozes a pedir
enfaticamente por mais uma música. Vontade concedida. Depois de mais três
músicas e da derradeira despedida, as caras das pessoas não deixavam enganar:
Soube a pouco.
páginas da banda:
myspace
(texto e fotografias: Leonor Fernandes)
FNAC SHOWCASE: The Pulse
Foi hoje, às 21:30h na FNAC do Colombo, que estiveram presentes os The Pulse, no showcase de apresentação do seu álbum de estreia. The Pulse é uma banda portuguesa, que conta com oito elementos – Joana Alegre (voz), Mário Monteiro (guitarra), Tino Dias (bateria), Paulo Muiños (baixo), Gilberto Costa (saxofone tenor), João Raquel (trompete), Raimundo Semedo (saxofone Barítono) e Tó Bravo (trombone) – e cujo estilo se encontra algures entre o jazz, funk, soul, e até pop.
O ambiente de todo o espectáculo lembrava uma cena de um qualquer livro de Haruki Murakami. Um espaço pequeno, pouco iluminado, com pessoas a tomar café e com jazz como fundo, ora mais suave, ora mais agressivo, mas a assentar em todo o cenário que nem uma luva.
Inspirados por grandes nomes da música como Ray Charles, Stevie Wonder e Miles Davis, os The Pulse surpreenderam os espectadores não apenas com a sua sonoridade que abrange toda uma amálgama de estilos musicais que resultam muito bem juntos, mas também por terem inserido algumas surpresas no concerto. Desde o tributo a Led Zeppelin, ao fecho do showcase com uma música ainda não incluída no seu primeiro álbum, "Feel the Pulse", The Pulse não deixaram os espectadores indiferentes, e partiram com uma quase promessa de regresso com um segundo álbum.
O seu álbum de estreia contém dez faixas, das quais podemos destacar o single, “No Match”, “Vinicious” (uma homenagem ao “poetinha” Vinicius de Moraes), ou “Some Surprise”, e já se encontra à venda.
páginas da banda:
Website Oficial
SoundCloud
Fotografia e texto - Leonor Fernandes
De calças coloridas e t-shirt às riscas, os Capitães da Areia encheram a Fnac do Chiado de verão. Os quatro capitães: Pedro (voz), Tiago (guitarra), Vasco (guitarra-baixo) e António (bateria) juntos desde 2009 lançaram, o ano passado, o álbum “Verão Eterno d’Os Capitães da Areia” e correm agora as Fnacs do país.
As músicas deste “Verão Eterno” lembram não só ecos da música indie actual como deixam também visível uma herança do pop dos anos 80.
No álbum de 11 faixas podemos encontrar “Dezassete anos” onde mais uma vez o amor juvenil dá corpo à melodia, e “Verão Eterno”, ou mesmo “Brincos de cereja” , que cobre o imaginário destes quatro rapazes de Lisboa.
Num showcase de meia hora, entre a pop e aventuras juvenis os Capitães trouxeram a sua música fresca e descontraída ao público do Chiado que trauteava as músicas sem hesitar.
Os Capitães de Areia estarão no dia 23 na Fnac Santa Catarina – Porto (17h) e um pouco mais tarde no Plano B (23:45h); dia 24 nas Fnacs Guimarães Shopping e Braga Parque (17h e 22h, respectivamente), dia 25 Fnac Coimbra Fórum (17h); 14 e 15 de Abril Fnac Viseu e LeiriaShopping (16h e 17h respectivamente).
Texto e fotografia: Beatriz Albernaz
FNAC Showcase: Nice Weather For Ducks
“Quack” é o álbum recentemente editado pelos Nice Weather For Ducks, produzido para a Optimus Discos, a cargo da Omnichord Records. O grupo composto por cinco jovens dos arredores de Leiria: Bruno Santos, Diego Alonso, Hugo Domingues, Luís Jerónimo e Tiago Domingues, esteve na passada quinta-feira no Chiado para um Showcase Fnac, onde apresentou algumas faixas deste novo trabalho: “FangOBuego”, “
Back To The Future”, “Little Jodie”, “Easier”, “2012” (vídeo abaixo) e “Duck Tales”.
Seja pelos instrumentos do ebay ou pela omnipresente mascote – o coelhinho de peluche Rui, os Nice Weather For Ducks diferenciam-se pela sua sonoridade que representa uma lufada de ar fresco e também várias expectativas, abarcando inúmeras influências numa amálgama de onde se conseguem retirar grupos como Foals, Fleet Foxes, Animal Collective, e, até, Arcade Fire.
O álbum contém dez faixas, solarengas e descontraídas, que nos fazem mexer o pé e tentar balbuciar todo um conjunto de vocábulos monossilábicos e ritmados que as acompanhem. Quem ainda não passou os ouvidos pelo “Quack” tem a possibilidade de fazer o download legalmente aqui:
http://optimus.blitz.pt/discos/artistoptimusdiscos/quack
O grupo irá actuar hoje na Fnac de Coimbra e, nos próximos dias 23, 24, 25 e 29 deste mês vão estar nas Fnac de Braga (19h00), Norteshopping (18h00) e Mar Shopping (22h00), Gaiashopping (17h00) e Leiriashopping (19h00), respectivamente.
Vídeo do single de apresentação "2012":
Mário Laginha Trio
Hot Club de Portugal, Praça da Alegria
Dia 17 de Fevereiro de 2012
Lisboa já se tinha esquecido das mágicas noites a que assistia sempre que se fazia música no velhinho Hot Club. Aquele fatídico incêndio não destruiu apenas um edifício. Desapareceu, em cinzas, o mais antigo clube de Jazz da Europa, um lugar mítico, ficando apenas as recordações de todas as memoráveis sessões onde grandes nomes, como Count Basie Orchestra ou Sarah Vaughan, brilharam. Essas estão intactas e regressam novamente ao imaginário de qualquer melómano, agora que o novo espaço (ainda na Praça da Alegria) reabriu.
Não haverá, de certo, melhor maneira de comemorar este marco na música jazz portuguesa do que convidar para uma actuação o mais talentoso e reconhecido pianista português, Mário Laginha, que se fez acompanhar pelo seu trio, integrado por Alexandre Frazão, na percussão, e Bernardo Moreira, no contrabaixo.
O mote para o concerto é o seu mais recente trabalho, Mongrel, muito elogiado pela crítica, chegando a receber o prémio de melhor álbum do ano pela Sociedade Portuguesa de Autores e RTP. O título do disco faz-nos referência a uma mistura de culturas e tradições, e é precisamente isso que acontece, numa “espécie de heresia a transbordar respeito pelo compositor", diz Mário Laginha, referindo-se a Frédéric Chopin e aos seus temas, que são revisitados, neste trabalho, numa abordagem mais jazzística, chegando a alcançar, por vezes, a pop.
A sala encontrava-se cheia quando ainda faltava cerca de uma hora para o início da actuação. Avisaram-me logo à porta: “Se quiser dê uma vista de olhos à lotação da sala, e, se mesmo assim quiser entrar, não nos responsabilizamos pelo eventual desconforto.” Decidi entrar. Uma ocasião destas não pode ser desperdiçada. O misticismo, que sempre acompanhou a antiga sala, encontra-se intacto. Ao entrar, vislumbro alguns nomes grandes da música portuguesa, como Rui Veloso, numa atitude humilde de presenciar o que de melhor se faz em Portugal na área da música.
Amontoados, apertados, desconfortáveis mas ansiosos, os ouvintes lá iam esperando a chegada dos artistas. Por volta das 22h15, Alexandre Frazão e Bernardo Moreira entram triunfalmente no palco, seguidos por um tímido Laginha, como é já seu hábito, que não gosta muito de dar nas vistas. Mal se senta ao piano e começa a tocar o tema introdução, ficaram por terra todas as pretensões de passar despercebido. O touché com que atinge as teclas do piano é magistral. Existe um lirismo em cada nota que imagina na sua cabeça e executa através do teclado. Rapidamente se pode verificar os olhares estupefactos à medida que a velocidade das modulações e improvisos começam a surgir. Ora se tocar Chopin é extremamente complexo, imagine-se improvisar sobre o mesmo!
Laginha é a estrela, sem dúvida, mas os acompanhantes não lhe ficam atrás. Bernardo Moreira é o menos brilhante dos três, mas, no entanto, é o mais consciente rítmica e harmonicamente. Genial na maneira como interpreta as dinâmicas estabelecidas por Laginha, exerce um cargo, por vezes ingrato, de ser a ponte entre o pianista e outro dos protagonistas. Falo, portanto, de Alexandre Frazão, que deu um espectáculo dentro do próprio espectáculo. Irrepreensível no sentido rítmico, fantástico na maneira como extrai cada pormenor sonoro do seu kit, aparentemente rudimentar, de bateria. A química de banda é evidente, e não existe, de todo, qualquer tentativa de sobressair por parte de um dos músicos. Pelo contrário, existe aquele respeito, característico do jazz, pelo momento do colega.
Numa actuação irrepreensível, onde, para além de temas de Chopin, foram apresentadas duas músicas inéditas (acabadas no dia anterior, confessou Laginha), o trio conseguiu agarrar o seu público de tal maneira que o encore teve direito a um solo de 10 minutos de Frazão que deixou a plateia ao rubro. Aplaudidos de pé, o sorriso estava estampado na cara dos músicos, espelho de uma performance que confirma o regresso das vibrantes noites ao Hot Club.
Texto: João Afonso
Texto: João Afonso



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