Entrevistas




Entrevista “Roadies”



Formados no ano de 2011, os Roadies começam a destacar-se no panorama musical português, com várias lotações esgotadas em salas importantes, como o Cinema S. Jorge. Promovendo um Rock Progressivo/Alternativo, irão lançar, brevemente, o seu EP de estreia.

InfraSom (IS): Como surgiu a oportunidade de começarem a tocar juntos?

Roadies (R): Em maio de 2011, o Bernardo, o Manel e um vocalista, o Miguel Pinheiro, tinha, feito um concerto juntos na escola deles, e aperceberam-se que havia ali potencial para andar. O Pedro entretanto juntou-se à banda, e nasceram os Roadies, com uma formação acústica. Fizemos uma tour nesse verão, à qual as pessoas aderiram, e que nos permitiu crescer como banda e querermos continuar com o projecto. Decidimos seguir por outra via que não o acústico, e assim procedemos a algumas alterações na formação. Juntou-se a nós o Diogo, na bateria, e o Miguel deixou-nos, amigavelmente, por considerarmos que ambas as partes beneficiariam com isso.


IS: Como descreveriam a vossa sonoridade, neste momento?

R: Nós mesmos temos alguma dificuldade em definir o estilo que nos caracteriza. Temos bastantes influências fortes que obviamente definem a maneira como soamos. Os Radiohead afirmam-se como o nosso modelo, a nossa maior influência, mas, no entanto, o som que produzimos não tem forçosamente que ver com eles. Outros artistas têm um grande papel na nossa fase de composição, nomeadamente o Jeff Buckley, Bon Iver, Ornatos Violeta e Damien Rice. Depois destas misturas todas acabámos por perceber que temos uma sonoridade muito semelhante a Rock Progressivo, e é mais ou menos nessa área que nos situamos.


IS: Sabemos que o vosso EP de estreia estará quase a sair. Como está a decorrer o processo de produção?

R: Estamos neste momento a iniciar a pré-produção. Chamar-se-á Leave The Lights Out e pensamos que estará disponível para o público por volta de Agosto/Setembro. Já temos as músicas compostas, instrumentos e estruturas definidas. Vamos gravá-lo nos estúdios tchatchatcha e será produzido pelo Ramón Galarza (que já produziu álbuns dos Xutos e Pontapés, Rui Veloso, Jorge Palma, José Cid, entre outros).


IS: É um mundo novo para vocês. Sentem-se bem com o que estão a fazer?

R: De facto é tudo novo para nós. Mas, no entanto, é o nosso sonho, todos nós queremos ser músicos e, acima de tudo, queremos conseguir viver a partir da música. O futuro é incerto para nós, mas estamos dispostos a apostar tudo nisto, e estamos confiantes de que, em algum tempo, o trabalho árduo que estamos a ter agora irá dar frutos.



IS: Como é que as pessoas podem descobrir e seguir o vosso trabalho?

R: Neste momento somos agenciados pela Sun Goes Down, e qualquer proposta de concerto terá de ser feita com eles. Neste momento encontramo-nos concentrados em gravar o EP, e, por isso, deveremos voltar aos palcos em Setembro. No entanto podem seguir-nos no facebook (http://www.facebook.com/roadiesoficial), e fazer lá o download gratuito de alguns covers. 

                                                   Fake Plastic Trees



                                                 All Along The Watchtower





Texto: João Afonso





Entrevista - Hello Captain





Antes de mais, conta-nos um pouco sobre ti...

Eu sou o Miguel, tenho 20 anos e venho de Viseu. Estou a estudar Design de Equipamento da Faculdade de Belas-Artes, em Lisboa, e tenho um capitão dentro de mim, que gosta de tocar guitarra e que acabou de lançar um EP.


Como surgiu o projecto?E o porquê do nome Hello Captain?

Bem, nao é que o 'projecto' tenha surgido recentemente, de certa forma sempre cá esteve, mas ou com outros nomes, ou antes disso, até sem nome. É (e sempre foi) o meu processo criativo com a musica, em particular com a guitarra. Já o nome 'Hello Captain' surgiu porque tinha que 'me' dar um nome, óbvio que nao é um mero nome. Concentra nele o que acho que seja um nome que se adequa a mim, de certa maneira, vejo-me como um capitão sozinho no meu barco a naufragar num mar de inspiração (mais uma vez, é uma analogia com o meu processo criativo, visto que é o meu projecto a solo, onde toco e canto sozinho).

E em termos de inspirações, quais são as tuas?

A inspiração é algo muito complexo e variado, diria mesmo que vem de tudo o que me rodeia (até porque é a verdade). Tendo a escrever e compor sobre o que me rodeia, desde a situações pessoais (são as mais recorrentes) a conversas e/ou situações com e de amigos. Depois há o outro tipo de inspirações, que é a música que oiço que, quer queira quer não, influencia sempre um pouco, nem que seja às vezes só uma ou duas notas.

No dia 18 de Maio, deste um pequeno concerto. Como foi a estreia do capitão tanto para ti como da parte do público? Foi bem recebido o projecto?

Bem, para mim nao precisa de ser estreia para ficar um pouco nervoso, mas ouvi dizer que o Capitão se safou bastante bem! O projecto foi bem recebido, o tempo é que nao deve ter gostado muito pois passado dois segundos de ter acabado a ultima musica começou a chover, pelo que nem quase tive tempo para saborear as palmas pois tive que começar a levar tudo para dentro com a ajuda dos que estavam por lá. Foi caricato sem dúvida.

É um projecto muito recente, no entanto quais são os próximos passos?

Bem, nao é que tenho algo totalmente estabelecido, mas gostava de dar mais uns concertos com o EP. Depois disso, é começar e trabalhar noutro novo EP, ou umas colaborações. Não sei, o que quer que seja que a maré traga.


Conhece mais de Hello Captain: facebook e bandcamp

Texto: Beatriz Albernaz





 Entrevista - Uxu Kalhus

Uxu Kalhus. Um “grupo folk português algures entre os universos da fusão e das músicas do mundo”, com influências de jazz, rock, ska, trazem consigo mais do que um trocadilho no nome, um resultado explosivo e vibrante. Extravagante. Continua a ler para saberes mais sobre esta peculiar banda portuguesa.



Uxu Kalhus é um projecto que, pelo que percebi, já dura desde 2003. Como surgiu? 

 Na verdade o projecto nasceu em 2000,  com o objectivo de divulgar as danças e a música portuguesas num festival em França. Ao longo dos anos e com várias transformações e formações, o grupo chegou a esta ultima em 2009.


 No vosso blog, autoproclamam-se como um “grupo de música trad-folk-rock”. Sempre tiveram em mente esse estilo para a banda, ou surgiu por acaso?

 O grupo é um colectivo ecléctico, cada membro tem percursos distintos e é com essa caldeirada de personalidades e gostos que se chega mais ou menos a esse desígnio, em que todos concordamos não estar fechado nele próprio. Ao ouvirem as nossas músicas acabam por perceber isso mesmo.


Em termos de inspirações, ídolos?

São muitos e cada um de nós teria de falar por si, pois é difícil reunir em poucas palavras, todas as influências de cada um de nós. A própria vida que temos em comum, as muitas horas de estrada e as pessoas que vamos conhecendo, tudo isso influencia a nossa música.


 O vosso cd saiu no dia 13 de Fevereiro deste ano. Como descrevem este álbum? 

Este novo álbum espelha a formação actual. A leitura possível que temos dele, é que tem uma energia transbordante, a vontade de transpor limites é uma constante e o resultado que ele tem nas pessoas, só elas o poderão confirmar, mas da recepção que temos tido ao longo do lançamento, tem sido muito muito… efusiva!
Estão satisfeitos com o álbum?


Claro! Ele não sairia cá para fora se não estivesse ao nosso gosto! Mas para nós, o álbum é apenas um registo, não algo fechado e intocável. Muito provavelmente, as pessoas que forem assistir a um concerto nosso, vão-se deparar com surpresas. As músicas podem se transformar ao longo dos concertos que formos dando.
  

No que diz respeito a concertos, dá para perceber no vosso blog que têm uma agenda relativamente cheia. O público gosta das vossas músicas? Há interacção? 
 
Como já foi dito, sim. No geral, temos tido críticas muito boas e uma aceitação igualmente boa. O público tem-se manifestado de uma forma bastante positiva.

 
Novos projectos a caminho?

Como é habitual, já temos ideias para novas músicas em formatos diferentes, que a seu tempo será divulgado, pois nada ainda está concretamente delineado.
 
vê aqui o videoclip de "Extravagante", de Uxu Kalhus

Uxu Kalhus:
blogspot


(Leonor Fernandes)




O violoncelista do Chiado




Não é novidade para ninguém que não há uma tarde no Chiado que não seja animada pela subtil e agradável música de fundo vinda de cada esquina numa panóplia de sons e instrumentos diferentes que tornam a cidade, sem dúvida, mais bonita. Há talento para dar e vender nas ruas de Lisboa, é apenas preciso ter-se olhos e ouvidos para dar com ele. E cada uma destas pessoas possui uma história que quase sempre desconhecemos e que vale a pena descobrir. Um destes exemplos é Christian de Oliveira Grosselfinger, que encontrei perto da Praça Luís de Camões, no seu eloquente fato negro a rigor, de violoncelo “ao colo”, quase como que um membro de uma grande sinfonia - a sua própria. Sempre bem disposto, o músico vai distribuíndo sorrisos afáveis a quem por ele passa ou trocando dois dedos de conversa com quem o aborda. E as pessoas gostam de o ouvir, a avaliar pelo constante telintar de moedas no pequeno cesto de verga que o acompanha.


Numa breve conversa, que pude completar mais tarde através de e-mail, fiquei a conhecer este jovem de 28 anos um pouco melhor:


Christian é natural de Guaratinguetá, São Paulo, no Brasil e encontra-se em Portugal há cerca de cinco meses. Apesar das diferenças esmagadoras, diz sentir-se bem na cidade de Lisboa.  Músico de profissão, o seu percurso iniciou-se na guitarra eléctrica, em 2000, sendo que o violoncelo apareceu dois anos depois, seguido de aulas de composição com ilustres músicos e compositores. Participou na Orquestra Sinfónica Brasileira Jovem e possui peças da sua autoria para piano, flauta, entre outros instrumentos. Em 2008 estudou durante três meses em Karlshure, na Alemanha, pelo que é também fluente na língua alemã.
Já foi também professor e participou como executante em várias masterclasses



Para quem o quiser ouvir, basta passar perto dos Armazéns do Chiado/Praça Luís de Camões, e lá o encontrarão com os seus trechos. Podem, até, contactá-lo pelo seu e-mail pessoal: christkomposer@hotmail.com, ou visitar um dos seguintes links para saber mais informações:



Texto e fotografia: Telma Correia

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