quarta-feira

O Shoegaze não morreu

No final dos anos 80 e inícios da década de 90, proliferou pelo Reino Unido um estilo musical caracterizado por riffs de guitarra longos, densos e ensurdecedores e ondas de distorção. Instrumentos e vozes fundiam-se numa mescla de sons puros e etéreos. O termo, difundido pela imprensa britânica, dizia respeito à postura em palco (estática, de “contemplação” dos pés) dos grupos e nada tinha a ver com a sua sonoridade. O shoegaze teve bastante sucesso até ao aparecimento do britpop e do grunge em meados dos anos 90, que o colocaram em segundo plano. Apesar disso, tanto a sonoridade como os grandes grupos da época continuam a influenciar artistas da actualidade. Falamos de nomes como My Bloody Valentine (MBV), tidos como os pioneiros do género e principal referência, com o marcante Loveless, mas também de outros nomes de importantes shoegazers, tais com Ride, Lush, Jesus and Mary Chain ou Chapterhouse. E, de outros, igualmente relevantes mas que alcançaram um relevo mais modesto: Medicine, Revolver ou Swervedriver. Muitas bandas actuais inspiram-se nas características deste género, fundindo-as com outros estilos como o pós-rockdream pop, rock psicadélico, entre outros, recriando sonoridades diversas e inovadoras. Aqui ficam alguns exemplos.


Fleeting Joys
A dupla da Califórnia fundado pelos irmãos John e Rorika Loring em 2005 manifesta claras influências de MBV e de outros grupos como The Jesus and Mary Chain ou Spacemen 3. Com dois álbuns de estúdio - o primeiro, Despondent Transponder, lançado em 2006 (e re-editado em 2010) alcançou críticas muito positivas, e foi, até, posto ao lado do aclamado Loveless. O segundo álbum, Occult Radiance, foi lançado em 2009Abaixo pode ser ouvida “Magnificent Oblivion”, retirada do primeiro álbum da banda e uma das faixas de destaque:






Ringo Deathstarr:
O trio natural de Austin, Texas, foi fundado em 2005 por Daniel Coborn (bateria), Elliott Frazier (guitarra) e Alex Gehring (baixo) e conta com dois álbuns lançados: Colour Trip, álbum de estreia lançado em 2011, e Sparkle, um álbum de compilações lançado no mesmo ano. Frazier, guitarrista, descreve a banda como: “Nós escrevemos canções pop simples e giras, mas simplesmente cobrimo-las em camadas de ruído.” (em, Sonicunyon)
A banda acompanhou os Smashing Pumpkins na sua passada digressão, estreando-se em Portugal na primeira parte do concerto destes no Campo Pequeno, em Dezembro do ano passado. Em baixo fica o tema “So High”, do álbum de estreia da banda:



Screen Vinyl Image:
A banda de Washington, EUA, formada por Jake Reid e Kim Reid (ex-membros dos Alcian Blue) apresenta uma sonoridade que relembra um encontro entre Jesus and Mary Chain, New Order e Sisters Of Mercy. Uma mistura entre a atmosfera soturna do pós-rock, a distorção “shoegazeana” e ritmos electrónicos. O grupo conta com dois álbuns de estúdio: Interceptors, lançado em 2009 e Strange Behaviour, em 2011, que pode ser ouvido na íntegra aqui:






LSD and the Search for God:
Apesar do curto trabalho da banda, que consiste num EP homónimo lançado no ano de 2007 de cinco faixas, a banda de São Francisco, Califórnia, formada em 2006, conta com características musicais muito próprias que englobam elementos do shoegaze, rock psicadélico e noise rock. Vale a pena conferir "I Don't Care", um dos temas do EP. Entretanto, cá ficaremos à espera de material novo:





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