domingo


Radiohead – The Bends (1995)




   Corria o ano de 1995 e os Radiohead, liderados por Thom Yorke, tinham em mãos a árdua tarefa de justificar o êxito mundial que tiveram com o lançamento de Pablo Honey, em 1993, que incluía o sucesso Creep. Se para o público já eram uma grande banda, para os críticos não passavam, ainda, de uma promessa. Pablo Honey não convencia, e soava a Nirvana numa versão light.

   O que é facto é que The Bends alcançou a proeza de conseguir conciliar não só o éxito comercial com a aclamação da crítica. Considerado por muitos, a par de Ok Computer, o melhor álbum da banda, este trabalho permitiu aos Radiohead atingirem o patamar de certeza na indústria musical.

   Planet Telex inicia a jornada musical, uma espécie de ponte do grunge introspectivo de Pablo Honey e a iniciação à nova sonoridade da banda, que viria a tornar-se a sua imagem de marca durante largos anos. The Bends, a faixa que dá nome ao álbum, é uma música orelhuda, com riffs de guitarra que rapidamente ficam na cabeça, e rapidamente nos deixa envolver na aventura que se afigura à nossa frente. 

   High and Dry é a música que se segue, e é o tema que, 17 anos depois, continua a ecoar na cabeça de muita gente. A voz aguda de Yorke, característica para quem olha para o passado, torna-se quase mítica nesta faixa repleta de qualidade. Antes que tenhamos tempo para percebermos a real dimensão do que acabámos de ouvir, somos imediatamente confrontados com Fake Plastic Trees, uma das grande obras-primas dos Radiohead. A intensidade e o crescente de emoção que Thom Yorke consegue impor na música ainda hoje em dia espanta muitos melómanos, e chocou o mundo musical da época, que se apercebeu do nascimento de umas novas estrelas.

   Bones e (Nice Dream) são a ressaca das duas músicas anteriores, e o período onde o ouvinte se apercebe que está na presença de um clássico da música. Como tudo é pensado num trabalho dos Radiohead, e sem que nada o previsse, a guitarra de Johnny Greenwood irrompe furiosamente pelas colunas, iniciando as hostes de Just, o ponto mais agressivo, comercial e excitante do álbum. O experimentalismo que a banda iria adoptar nos seguintes álbuns poderia ser adivinhado pelo solo desta faixa.

   O caminho para o final do álbum é feito numa espiral iniciado pela brilhante e empolgante My Iron Lung, passando pela dramática e intimista Bullet Proof … I Wish I Was, pelas rockeiras e chamativas Black Star e Sulk, terminando com chave de ouro ao som de Street Spirit (Fade Out). Como aconteceu no antecessor e nos subsequentes álbuns, esta última faixa deixa entrever o rumo musical que o próximo trabalho tomará. É, assim, o intimismo, a escuridão e fúria para com a sociedade que caracterizam não só Street Spirit (Fade Out) como o seguinte álbum, Ok Computer.

Nota: 9/10

                                 High and Dry


                              Just

    Texto: João Afonso

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