1 | Queenswave | 4:54 | |
| 2 | A Night and a Day | 4:04 | |
| 3 | Go Supersonic | 4:44 | |
| 4 | Temple of Unfed Fire | 2:48 | |
| 5 | Contain Thyself | 3:52 | |
| 6 | Hesperus Garden | 4:09 | |
| 7 | Grave Prophecy | 4:33 | |
| 8 | In The Cave | 1:51 | |
| 9 | My Flaming Thirst | 3:49 | |
| 10 | Iron Giant | 2:22 | |
| 11 | The Storm | 3:43 | |
| 12 | Riders on the First Ark | 7:18 |
Pop Quizz. Estão prontos? O que dá ao se misturarem o "The ArchAndroid" da Janelle Monáe, surf rock dos anos 60, os temas do James Bond, uma ópera de Wagner e uma história sobre a Atlântida ? Se a vossa resposta é: "não faço ideia", então claramente nunca ouviram o mais recente álbum dos Pepe Deluxé intitulado de "Queen of the Wave".
Retirando influências daqui e dali do mundo da pop, mas conseguindo roçar no baroque, "Queen of the Wave" apresenta-se como a história da queda da Atlântida, o mítico continente que remonta aos contos de Platão. As influências do rock psicadélico, a boa utilização de "hooks", a magnitude e o optimismo incomparável deste álbum, lançado dia 30 de Janeiro de 2012, fazem-no um dos mais fortes do ano até agora. Também não magoa ter umas faixas-interlúdios extremamente atmosféricas ("In the Cave") e que agarram a nossa atenção logo a primeira vez que as ouvimos ("Temple of the Unfed Fire" e "Iron Giant")
A faixa de abertura "Queenswave" é a minha preferida. A melodia é calma e resguardada mas intoxicante, enquadrando elementos de electrónica, um toque de sintetizadores e até, parece-me, uma flauta de pã. A voz masculina praticamente não se ouvirá mais ao longo do álbum, o que é uma pena.
Já "A Night and a Day", "Hesperus Garden", "My Flaming First" e "Go Supersonic" não tem medo de nos apresentar as suas influências à cabeça com as três primeiras a fazerem lembrar Janelle Monáe, e a última a retira uma fatia do sunshine pop de décadas passadas. Algumas falham como "My Flaming Thirst", que grita a plenos pulmões PONHAM-ME NUMA SOUNDTRACK DO JAMES BOND. Infelizmente acaba por perder o sabor. "A Night and a Day" é algo banal, mas "Supersonic" e "Garden" sao refrescantes, acabando a primeira por 'descambar' numa total ópera Wagneriana.
"Contain Thyself" faz mesmo lembrar um qualquer cântico céltico, com especial atenção para as melodias vocais. A profética "Grave Prophecy" tem um interlúdio lindíssimo, anunciando a queda do mítico continente, e no geral é um dos pontos mais fortes do álbum. O final da música é um clímax de xilofones, bateria, sintetizadores e coros.
O relato da queda recai sobre a épica "The Storm" cuja magnitude, deixa dúbia o enquadramento deste álbum no campo pop. Mesmo assim com um solo de surf rock no meio e com camada sobre camada de instrumentalização, a sua grandeza é inegável, fazendo-nos de facto sentir que algo urgente está a acontecer.
Para acabar temos uma leva de humor com a melancólica "Riders of the First Ark" que faz regressar a voz masculina:
"All the fauna with two horns
He forgot the unicorns"
E é por isto que não temos unicórnios hoje em dia senhoras e senhores : O povo da Atlântida durante a evacuação, quando o seu continente estava a ruir para debaixo do mar, esqueceu-se de trazer os unicórnios.
Prós: Nostálgico mas futurista, estranho mas familiar . Camadas de instrumentalização sem nunca perder de vista o surf/sunshine pop-rock que está na génesis do álbum. Divertido, optimista e curioso com uma magnitude 10 na escala de Richter em faixas como "The Storm" e "Go Supersonic".
Contras: Demasiado disperso em termos de estilos musicais. Algumas faixas gastam-se rapidamente. Encosta-se excessivamente à sombra das suas influências.
Faixas de destaque: "Queenswave" ; "Go Supersonic" ; "Hesperus Garden" ; "Grave Prophecy" ; "The Storm"
Pontuação: 8.1
Queenswave
Texto: João Carrilho
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