Ai Radiohead , Radiohead ... o que dizer sobre eles que ainda não foi dito ? Revolucionários ? Mestres musicais ? Uma grande fonte para alimentar o "cospe-veneno" que é o Liam Gallagher ? Tudo isto é verdade , mas será que se aplica ao oitavo LP da banda "The King of Limbs" ?
Os camaleões da música atacam de novo ! Suceder ao "In Rainbows" , de 2007 , nao era de todo tarefa fácil e os Radiohead usaram a sua "metodologia" habitual : esquecer tudo o que gravaram para o álbum anterior e ter uma aproximação totalmente fresca e inovadora para o processo de gravação. O resultado ? Bem , explicando por miúdos , peguem na faixa "The Gloaming" do álbum "Hail to the Thief" , misturem isto com o "Amnesiac" e com o álbum a solo do Thom Yorke (vocalista dos Radiohead) "The Eraser" e voilá !!! "The King of Limbs" is born.
A coisa mais imediata do álbum é o uso agressivo de loops e samples na grande maioria das apenas 8 faixas. Faixas como "Morning Mr. Magpie" repetem até à exaustão certos "motifs" musicais, tornando-as até cansativas ao ouvido. Apesar disto há alturas em que os loops resultam , como por exemplo, na faixa "Separator". O "swing" entre os loops de drums , o baixo , a guitarra "no background" (que é das únicas vezes do álbum que ouvimos de facto Jonny Greenwood a tocar) e a voz ecoante do Thom Yorke criam um ambiente único.
O álbum tem um bom fluxo , com a maioria dos loops concentrados na primeira parte do mesmo e com a segunda parte a dar uma "pausa" ao ouvinte com duas baladas : "Codex", na qual quero dar destaque ao grande trabalho de instrumentos sopro e corda que aparecem a meio da música, e "Give up the ghost". Apesar disto , até a faixa "Give up the Ghost" contém um "loop" vocal repetindo durante toda a música "Dont Hurt me/Don't Haunt me", funcionando bem nos primeiros instantes mas, acabando, com sucessivas audições , inevitavelmente , por cair na repetição.
O primeiro single deste LP, "Lotus Flower" e a faixa de abertura, "Bloom", são as melodias mais fortes do álbum. A voz , e a forma como o Thom atinge as notas altas no "Lotus Flower" é arrepiante e o crescendo e as camadas de instrumentos que se sobrepõem no "Bloom" é "eargasmic".
As letras são o clássico Radiohead-doomy-gloomy-old-russian-novel-its-anyones-guess, portanto nem me vou atrever a pronunciar sobre elas.
Apesar das repetições, a grande falha do álbum é a sua duração . Este LP com 8 faixas e apenas 37 minutos é o mais curto da carreira dos Radiohead e faixas "fillers" como o "Feral", que apesar de ser uma experiência agradável, soa-me a música inacabada, não têm lugar num álbum deste tamanho.
No final de um LP em que a palavra-chave é definitivamente repetição, ficamos com um gosto amargo na boca , um "saber a pouco" dificilmente superado por sucessivas audições do mesmo. Será este um álbum terrível ? Longe disso ! Mas não há nada aqui que tenha o impacto emocional de um "Ok Computer" , de um "Kid A" ou até de um "In Rainbows".
Faixas Preferidas : "Bloom" , "Lotus Flower", "Codex", "Separator"
Pontuação : 7.4
Bloom
Codex
Separator
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