segunda-feira


Capitão Fausto - Gazela (2011)




  O que acontece se juntarmos os Tame Impala a José Cid? O resultado é uma das mais agradáveis surpresas do ano de 2011, o fantástico álbum de estreia dos Capitão Fausto: Gazela. São 5 jovens, amigos de infância, que se juntaram para formar uma, inicialmente, banda de covers. Houve química de banda e resolveram prosseguir o bom trabalho. Uma proposta irrecusável de trabalho em Ibiza levou-os à descoberta de terras espanholas, e permitiu-lhes amadurecer enquanto conjunto e modelar o seu corpulento Indie Rock, com laivos de Rock Progressivo.

  O seu EP de estreia tinha profetizado aquilo que se viria a concretizar em Gazela. Exímios executantes, são inteligentes na forma como usam os coros de “nananas” que fazem lembrar os Beatles, bem como na construção de um estilo que sorri a bandas de renome como Arctic Monkeys, Franz Ferdinand ou The Strokes. A voz crua de Tomás Wallenstein, o baixo electrizante de Domingos Coimbra, os teclados vibrantes de Francisco Ferreira, os riffs poderosos de Manuel Palha e a energia da bateria de Salvador Seabra fazem com que os seus ouvintes queiram bater o pé, saltar, dançar, enfim… festejar!

  Música Fria inicia da melhor maneira o álbum. Uma música tímida, que introduz o ouvinte ao que se irá passar a seguir. Não é explosiva, mas tem os já famosos coros dos Capitão Fausto. Podemos assistir a uma espécie de aquecimento para a seguinte música. Falo pois de Teresa, o single do álbum, uma electrizante canção que traz consigo o que de melhor existe na cena Indie Rock. Os teclados fazem-se ouvir sonoramente, o refrão fica facilmente na cabeça e a dança executada no videoclip é irresistível. É possível descobrir o mesmo glamour da voz de Alex Krapanos, dos Franz Ferdinand, em Tomás Wallenstein, bem como o ritmo festivo de Fabrizio Moretti, dos Strokes, na bateria de Salvador Seabra. Febre é uma digna sequência de Teresa. Igualmente festiva, é contagiante no seu refrão preenchido por “nanana”. Ao vivo, esta deve ser uma das músicas que melhor resulta. É impossível não querer dançar. Verdade é a faixa que se segue, e mantêm o tom que se impôs ao longo do álbum. A esta altura está demonstrada toda a maturidade que os Capitão Fausto possuem, invulgar numa banda tão jovem.

  Super Nova é o ponto alto do álbum. É uma faixa que transitou do EP para o seu álbum de estreia, mas demonstra toda a capacidade musical que estes cinco lisboetas possuem. Contagiante, alegre, colorida, é uma música que relembra que em Portugal existem muitas jovens bandas de valor, que, com algum crédito, podem ir longe.

  Gazela, faixa que dá nome ao álbum, é o momento intimista do álbum, e, talvez, o seu calcanhar de Aquiles. Funciona como um interlúdio, uma calmaria no meio de tanta festividade, uma espécie de intervalo, mas, no entanto, fica a sensação de que está a mais neste trabalho.

  Santa Ana rapidamente remedeia o erro cometido, e introduz novamente o tom alegre e popular que os Capitão Fausto foram construindo ao longo do álbum. Em Sobremesa percebe-se as referências que a banda faz a José Cid e ao seu Rock Progressivo. Uma música madura que poderá apontar caminho para o que será o futuro desta jovem banda. Ora a influência deste grande nome da música portuguesa é notória, pelo menos a julgar pela faixa intitulada Zécid, uma clara homenagem ao compositor português. Faz lembrar, de facto, aqueles tempos de 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte.

  Raposa funciona como a despedida do trabalho de estreia da banda, com um piscar de olho, pois, de certo, não se ficarão por aqui. Capitão Fausto são a prova viva de que existe boa música em Portugal, e que está a surgir uma nova geração de artistas que têm qualidade suficiente para fazer face aos monstros internacionais da música. Viva o Capitão!

Nota: 7/10




                             Teresa




                            Super Nova


   Texto: João Afonso

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